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Entenda as diferenças
Texto: Romulo Prata
Fotos: SXC
Em um mercado sempre em mudança e com uma demanda cada vez mais exigente e sedenta por alimentos mais leves, a linha de produtos diet, light e zero nunca esteve tão em alta. Refrigerantes, chocolates e gelatinas, por exemplo, que seguem essa categoria preenchem as prateleiras dos supermercados e brilham nos olhos dos consumidores. No entanto, é fundamental entender a diferença entre cada um e principalmente saber consumi-los.
A nutricionista do Sindicato dos Nutricionistas do Paraná, Flaviani Andrade de Lara, esclarece que, segundo legislação de 1998 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o alimento diet é formulado com modificações especiais para se adequar a diferentes dietas ou a indivíduos com necessidades metabólicas específicas. “Alimentos com isenção de nutrientes, como os carboidratos, glúten, gorduras, sódio e o açúcar, nesse caso para os diabéticos, são exemplos”, explica. Ainda, pessoas com o colesterol alto e hipertensas devem consumir, respectivamente, produtos com restrição de gorduras e sal (sódio).

O zero, último a se integrar aos nomes nas embalagens, também é um produto diet, com a diferença de que deve apresentar o valor calórico reduzido. “É mais uma questão de propaganda, de marketing, do que propriamente uma mudança no alimento”, diz a nutricionista. Até porque, a palavra “zero” está na legislação desde sua vigência, como um termo que pode ser usado para representar isenção de um nutriente em algum produto, assim como a palavra “diet”.
Já o light indica diferenças na composição de um produto em comparação ao produto tradicional. Flaviani esclarece que um alimento é light quando apresenta redução mínima de 25% das calorias ou de algum nutriente em relação ao original. A maionese light, por exemplo, pode apresentar menos gordura, mas seu valor calórico pode ser inalterável.
É nessas entrelinhas que os consumidores se confundem e, às vezes, acabam fazendo a escolha errada. A endocrinologista e chefe do Ambulatório de Doenças Osteometabólicas do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, Gleyne Lopes Kujew Biagini, acredita que o light, o diet e o zero surgiram de uma ideia muito boa, pensando numa fatia da população, que são os diabéticos. No entanto, o produto diet deveria existir somente para as pessoas que têm contraindicação a algo. “É necessário que os semiesclarecidos entendam que ele não emagrece, e que há toda uma cultura em cima disso que precisa ser orientada”, afirma.
Gleyne também explica que um alimento diet ou zero pode ser mais calórico que um normal, como o chocolate. “Teoricamente, ele não tem açúcar, mas tem mais gordura, pois o uso dela torna o alimento saboroso, e não deixa o gosto residual do adoçante muito marcante”, explica Gleyne. E nisso, acaba-se ingerindo as mesmas calorias. Ela também acredita que os produtos light e zero deveriam sair das prateleiras por apresentarem muita química em sua composição, principalmente quando se fala em gordura. “Essa, dita light e feita em laboratório, o organismo não sabe quebrar, diferente daquela presente em alimentos normais, que o corpo humano metaboliza naturalmente”, explica.
Produtos dessas categorias ainda contêm os chamados edulcorantes artificiais (desde aspartame até o esteviosídeo), existentes para conservá-los e diminuir o teor de açúcar. Gleyne sugere que, mesmo com os estudos ainda incertos sobre o efeito de cada um deles no organismo, os adoçantes sejam consumidos moderadamente.
A nutricionista Flaviani é de mesma opinião. “O melhor mesmo é sempre moderar quando se fala em composições sintéticas, como os corantes, presentes em quase tudo que comemos”. E se a intenção é manter-se em forma, é possível dispensar os alimentos “saudáveis”, especialmente o light. Basta uma alimentação correta e balanceada e praticar regularmente exercícios físicos. |