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Percebe-se, logo de cara, que a Jordânia é um reino. Para onde quer que você olhe, lá está ele, o rei Abdullah: em outdoors e fotos, nas mais variadas poses, vestido de aviador, de empresário, de beduíno, ou posando como bom pai ao lado da família.

Nota-se também que é o povo que mantém a monarquia, já que os impostos são altíssimos e o dinar, a moeda local, vale mais do que o dólar e a libra. Os jordanianos são simpáticos, conversadores, mas, como bons comerciantes, gostam de “empurrar” de tudo – de bugigangas a passeios turísticos dispensáveis. A comida é ótima para quem gosta de pratos árabes, e o café da manhã é farto. O 'narguilé' (aquele grande cachimbo d'água que virou moda no Brasil) é servido em qualquer restaurante, ao final das refeições, como se fosse o nosso tradicional cafezinho. Imagine só como fica o ambiente: uma fumaceira só, com mistura de aromas de frutas, deixando enjoado quem não está acostumado.
Na Jordânia, 93% da população é muçulmana, mas não há radicalismo. Algumas mulheres mantêm a cabeça coberta pela burca, enquanto alguns homens ainda usam turbantes amarrados com corda e carregam o 'masbahah' (terço islâmico) pelas ruas. O que é radical mesmo lá é o clima. Há apenas duas estações: inverno (com neve na maioria das regiões) e “inferno” (com temperaturas entre 30 e 45 graus).
Cinco vezes ao dia, onde quer que se esteja, ouve-se uma espécie de cântico ecoando dos alto-falantes das mesquitas. É hora de parar tudo e orar. Muitos estendem um tapetinho que carregam consigo e se ajoelham onde for.
Berço de líderes fundamentalistas islâmicos, o país é um verdadeiro museu a céu aberto. Você encontra castelos em ruínas - onde dizem que se escondem integrantes da Al Qaeda -, vestígios pré-históricos e de diferentes civilizações, bem como arqueólogos reconstituindo cidades de tempos remotos.
A Jordânia fica numa das regiões bíblicas do planeta. Exemplos disso não faltam. Os reinos de Moab e Amon, citados no Antigo Testamento, dividiam o país em norte e sul. Foi do Monte Nebo que Moisés avistou a Terra Prometida e é onde ele está enterrado. A mulher de Ló, por sua vez, transformou-se em estátua de sal por desobedecer a Deus quando se virou para ver a destruição de Sodoma e Gomorra – cidades supostamente localizadas na Jordânia.
Mas toda essa história fica em segundo plano para quem tem os cenários de Lawrence da Arábia e de Indiana Jones à disposição. Sem dúvida, as grandes atrações deste pequeno e moderno reino do Oriente Médio são o deserto de Wadi Rum e Petra - a incrível cidade rosada entalhada nas rochas pelo povo nabateu, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Passar um dia inteiro em Petra é uma grande aventura! Entre camelos, beduínos e desfiladeiros, descobre-se um tesouro formado por um complexo de palácios, templos, túmulos reais, áreas comerciais e residenciais. Não é por acaso que o lugar foi escolhido para a gravação de cenas do filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”.
Já o deserto de Wadi Rum é um mar de areia, com imensas formações rochosas elevando-se como “ilhas” num oceano todo bege. Naquele silêncio, é estranho imaginar que exatamente ali ocorreu uma guerrilha árabe liderada por Thomas Edward Lawrence - ou Lawrence da Arábia -, o mais famoso herói britânico da Primeira Guerra Mundial.
A viagem é das mais exóticas. E o 'gran finale' é conhecer o Mar Morto – que, na verdade, é um lago, com uma parte localizada em território israelense. É o ponto mais baixo do planeta: está a 411 metros abaixo do nível do mar. Vendo vários 'spas' chiques beirando o local, fiquei convencido de que existem mesmo propriedades terapêuticas naquelas águas. Foi então que fiz o teste e flutuei de verdade, entregue à imensidão e aos braços de Morfeu, perdido no tempo e no espaço.
Texto e fotos: Alexandre Macilon
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