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Turismo
Um fim de semana na Lapa

Se as suas duas principais desculpas para não aproveitar um final de semana ensolarado e ir fazer turismo são “melhor não, muito caro” e “vou ficar mais tempo na estrada que aproveitando”, eis a solução: Lapa. A cidade reserva boas surpresas, uma saborosa culinária típica, um povo hospitaleiro de tratamento caloroso e ainda convida o visitante a conhecer mais sobre a sua própria história dando um passo 120 anos atrás, na época em que o Brasil República forjava suas bases a sangue e luta.

A Lapa fica a 69 quilômetros de Curitiba e pertence à Região Metropolitana da capital. Seu acesso se dá pela BR-476, rodovia pedagiada (R$ 7,60) que apresenta bom estado de conservação. Antes de pegar a estrada, porém, algumas poucas recomendações. Além da revisão de praxe no veículo (caso vá de carro), leve um bom par de tênis para caminhar e roupas apropriadas à estação. Como não há prédios na cidade, o vento não encontra obstáculos e a sensação térmica de frio aumenta no inverno. Mas nada que faça você ranger os dentes, um bom casaco já resolve.

PÉ NA ESTRADA

Saindo de Curitiba sábado pela manhã, às 9 horas, se você for de carro atingirá o seu destino por volta das 10 horas. De ônibus a viagem dura meia hora a mais. Na entrada da cidade o Monumento aos Tropeiros, um painel de azulejos feito pelo artista Poty Lazzarotto, lhe dará as boas-vindas. A avenida na qual você estará é a Caetano Munhoz da Rocha, ela o levará até o centro histórico onde o passeio de fato começa.



Passando a rodoviária, siga mais uma quadra e dobre à esquerda. Você encontrará a praça General Carneiro. Aproveite para conferir a estátua feita em bronze do general que comandou a resistência ao cerco federalista em 1894. Depois, dirija-se à Igreja Matriz numa das extremidades da praça. Construída em 1784 em homenagem a Santo Antônio de Pádua, padroeiro da cidade, a igreja apresenta o estilo colonial português simples. Seu interior é acolhedor e contém imagens de procedência europeia. Não perca a oportunidade e lance mão da câmera fotográfica.



Na quadra à direita da igreja fica o Panteon dos Heroes. Edificado em 1944, é o local onde repousam os combatentes militares e civis do Cerco da Lapa – episódio fundamental para a constituição da República. Em fevereiro de 1894 as tropas federalistas (maragatos) contrárias ao regime republicano rumavam para o Rio de Janeiro a fim de reaver a autonomia estadual rio-grandense. Ao subestimarem a cidade foram surpreendidas pelos militares liderados pelo General Antônio Ernesto Gomes Carneiro (pica-paus). O Cerco perdurou 26 dias até os defensores da República sucumbirem, tempo suficiente para Marechal Floriano Peixoto reunir a ofensiva que poria fim às pretensões federalistas.

Depois de tanta história faça uma pausa para reorganizar os pensamentos e, claro, almoçar. A dica é o restaurante Casarão (R$ 10), que oferece um buffet com muitas variedades, ou o almoço tropeiro completo do Lipski (R$ 22).

À tarde, retome a sua rota pela Casa Lacerda. Próxima à mesma praça, a casa foi edificada entre 1842 e 1845 pela família Lacerda e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938. O casario de estilo colonial português retrata bem os hábitos de uma família do século passado, com direito a um oratório em bom estado para Nossa Senhora da Cabeça. Na sala da Casa Lacerda foi assinada a Ata de Capitulação da Lapa, em 1984, pondo fim aos combates do Cerco. A visitação custa R$ 2.

Na saída pergunte a um lapiano (a) onde fica a Casa da Câmara e Cadeia, a próxima parada. Não estranhe se de uma simples pergunta o papo desenrolar para uma boa e duradoura conversa. O povo da Lapa é desprovido desse “pé atrás” que nos impede de fazer amigos no dia-a-dia. Recebem bem quem quer que seja e quebram qualquer gelo com suas interjeições de “Avede” quando falam. Com o tempo você perceberá que os lapianos são também um bom motivo para visitar a Lapa.

Ao chegar ao seu destino, prepare-se para ver de perto artefatos bélicos raros dos dois principais conflitos já travados. A Casa de Câmara e Cadeia abriga o Museu das Armas em sua parte inferior, com fuzis, canhões, espadas, fardas e demais objetos usados na Revolução Federalista e na I e II Guerras Mundiais, e na parte superior a câmara de vereadores do município. O local também serviu como a primeira casa de detenção da cidade, daí a origem do nome.

No fim de tarde faça o caminho inverso e retorne à praça da qual saiu, pois nos entornos há padarias onde é possível provar o típico “café com mistura” lapiano. Não deixe de pedir a coxinha de farofa, comida típica originada meio que por acidente da junção da farofa do frango com a massa do pastel.

O ponto seguinte do passeio fica numa das extremidades da praça e é um dos mais belos de todo o roteiro. Procure com os olhos pela fachada bege onde se lê em letras em relevo: Theatro São João. Em estilo neoclássico, a casa de espetáculos de 132 anos é formada por um palco circundado por arcadas de camarotes. Um deles, o central, foi ocupado por D. Pedro II e Thereza Christina na visita à Lapa em 1880. Fique atento à programação, de repente você encerra seu primeiro dia no camarote do imperador apreciando um das peças promovidas pelas companhias de artes cênicas locais ou a tradicional seresta lapiana.

Pernoitar na Lapa não custa caro. É possível encontrar hotéis com boas acomodações tanto dentro da cidade como nas redondezas. Duas indicações são o hotel Tropeiro da Lapa (R$ 60 o quarto individual standart) e a Pousada Tropeira (R$ 45 o quarto individual standart).

DIA SEGUINTE
No domingo, com as forças renovadas, dê uma passada na Casa Vermelha, uma das mais antigas da Lapa, que fica perto da rodoviária. O local funciona como loja de artesanato na parte da frente e abriga o Museu Tropeiro nos fundos. Observe os utensílios usados pelos tropeiros durante o caminho do Viamão e aproveite para escolher um belo suvenir.


De lá rume para direita, subindo a rua, para chegar ao Santuário São Benedito. O santuário imponente foi construído pelos escravos por volta de 1870 e conserva diversas imagens do santo. Tire mais fotos.

Descendo a rua você encontra sem muito esforço a Casa da Memória ou Casa dos Cavalinhos. O espaço recebeu esse apelido pela decisão do antigo dono que sonhou com cavalinhos alados, jogou na loteria o número, ganhou e mandou esculpir os animais na fachada. No interior, objetos, documentos e retratos antigos.

Para o almoço prefira algo leve. Opte por um lanche nas barracas que ficam na praça e aproveite para comprar as comidinhas artesanais dos produtores locais. Entre elas geléias, doces cristalizados e a deliciosa palha italiana.

Informe-se com uma das senhoras das barraquinhas (Avede) sobre a Casa Ney Braga e siga para lá. A casa resgata a trajetória do político lapiano que foi governador do Estado do Paraná e Ministro da Agricultura. Outra opção é caminhar pelo calçadão da arborizada avenida Dr. Manoel Pedro, a “rua XV lapiana”, antes de encerrar o itinerário.

Caso esteja de carro, vale a pena fazer o caminho que leva ao Parque do Monge. Atualmente o local está fechado para reformas, mas o nosso interesse não está nele, e sim vista panorâmica que se consegue em suas proximidades. De lá diga um “até logo” para Lapa, pois certamente será a primeira de muitas visitas.

Texto: Jeferson Fracaro
Fotos: Comunicação Social/Lapa

 

 
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