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Artigo/Geral
Placa Preta

Texto: Hugo Norberto
Fotos: Aramis Secundino

A identificação dos veículos de coleção

Bonitos, fortes, em perfeito estado de conservação e com uma placa diferente, com fundo preto e caracteres cinza, a chamada placa preta, os veículos de coleção chamam a atenção por onde passam. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Paraná (Detran-PR), existem 1.054 veículos com essa titulação no Estado. Destes, 981 automóveis, cinco caminhões, 14 caminhonetes, 13 camionetas, 22 motocicletas e 19 motonetas. Por isso, não é raro vê-los em algumas cidades, principalmente aos finais de semana.

Apesar disso, com a criação do Código de Trânsito Brasileiro, em 1997, os carros com características originais foram proibidos de saírem das garagens, pois alguns requisitos não estavam de acordo com a lei. Foi somente em maio de 1998 que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) criou a resolução nº 56, que instituiu o título de veículos de coleção aos carros que atendessem a quatro requisitos: ter sido fabricado há mais de 30 anos; conservar as características de fabricação; integrar uma coleção e apresentar o certificado de originalidade reconhecido pelo Denatran. Esse documento é emitido por clubes de antigomobilismo credenciados à entidade nacional e, desta forma, o veículo pode trafegar em todas as vias públicas do país mesmo não estando dentro de algumas das regras que o código prevê.

“Após a aplicação desta lei o meu Ford Super Deluxe 1948, que não possui retrovisor do lado esquerdo, cinto de segurança e diversos outros equipamentos, que para a época não eram obrigatórios, pôde sair da garagem”, diz Aramis de Macedo Secundino, vice-presidente e diretor técnico do Clube de Collecionadores de Vehiculos Antigos, apresentando o carro como sendo o primeiro automóvel com placa preta do país e mostrando o certificado do Denatran nº 001 pendurado na parede da garagem.

O carro foi adquirido em 1977 e na época o contador de distância marcava 47 mil km percorridos. Levando-se em consideração que viagens muito longas não eram feitas e que as estradas também não eram tão boas como são atualmente, 29 anos depois de sua fabricação o automóvel não estava em perfeitas condições. “Tive que fazer alguns acertos, arrumar algumas coisas no carro para deixar bem próximo de quando ele saiu de fábrica para receber o certificado”, explica Secundino.

Já se você possui um carro com mais de 30 anos e desanimou em colocar a placa preta porque o parafuso hoje é feito de alumínio e não de ferro como na época da fabricação, Secundino explica que a originalidade é mesmo difícil de manter. O que não pode acontecer é a descaracterização do veículo. “Tenho também esse Opel 1932 alemão que reformei inteirinho. Quando comprei o carro ele estava com ferrugem e somente algumas partes originais. Pesquisei como era o carro na época e reparei-o quase que inteiramente. Por exemplo, a cor original dele era azul. Só que a cor que ele está agora, depois de reformado, também já existia na época”, destaca, mostrando seu segundo carro da coleção. O carro é tão raro que pode ser o único do país com essas características.

Apesar de poder haver peças diferentes das originais, Secundino ressalta que não é possível fabricar um carro inteiro e trazer para avaliação. “Por mais que seja idêntico ao da época, tem que haver algumas características originais”.

Na verificação, feita somente pelos clubes de antigomobilismo, o veículo deve alcançar mais de 80 pontos na mecânica, elétrica, carroceria e habitáculo (parte interna). O coordenador de veículos do Detran-PR, Cícero Pereira da Silva, diz que muitas vezes as pessoas levam os carros para que o órgão faça o julgamento de originalidade. “Nós não fazemos, só conferimos os documentos emitidos pelo clube de coleção para depois emitir o documento que certifica aquele como carro de coleção”, explica. O documento deve ser renovado anualmente. “Se o veículo antigo não estiver com a placa preta, ele tem que cumprir com todas as características de um veículo atual. E se estiver com a placa preta e com os documentos irregulares, será multado e apreendido de acordo com a lei”.